Cancro do útero

0

CANCRO DO ÚTERO

Apesar de ser frequentemente conhecido como cancro do útero, também se denomina carcinoma endometrial, porque começa no endométrio (revestimento interno do útero). É o quarto cancro mais frequente entre as mulheres e o mais frequente do aparelho reprodutor feminino. Desenvolve-se depois da menopausa, sobretudo nas mulheres entre os 50 e os 60 anos. Pode disseminar-se (metastatizar-se) tanto de forma local como geral: do útero para o canal cervical, do útero para cima até às trompas de Falópio e aos ovários, pela zona que rodeia o útero, pelos vasos e gânglios linfáticos (sistema linfático), que transportam a linfa de todo o corpo até à corrente sanguínea, ou através da circulação sanguínea até às partes mais distantes do organismo.

Sintomas e diagnóstico

As hemorragias anormais provenientes do útero são o sintoma inicial mais frequente. A hemorragia pode surgir depois da menopausa, ou então pode ser uma hemorragia recorrente, irregular ou abundante nas mulheres que ainda menstruam. Uma em cada três mulheres com hemorragia uterina depois da menopausa tem este tipo de cancro. Devido ao facto de se poder tratar de um cancro, uma hemorragia anormal pela vagina depois da menopausa exige uma pronta atenção médica.

Para diagnosticar este cancro são usados vários métodos (Ver tabela da secção 22, capítulo 231) O teste de Papanicolaou (Pap), que detecta a presença de células cancerosas no colo do útero, pode ser útil, embora possa não reconhecer as referidas células em um em cada três casos, quando se trata de um cancro do útero. Consequentemente, nestes casos os médicos também podem fazer uma biopsia do endométrio ou uma raspagem, através das quais se extrai uma amostra de tecido do revestimento interno do útero para a examinar ao microscópio.

Se os resultados da biopsia ou da raspagem confirmarem a presença de um cancro endometrial, podem ser feitas provas adicionais para saber se se expandiu para além do útero. Os exames seguintes podem proporcionar informação útil e ao mesmo tempo podem ajudar a definir o tratamento mais adequado: a ecografia, a tomografia axial computadorizada (TAC), uma cistoscopia (uma observação da bexiga através de um tubo), o clister com papa de bário, uma radiografia ao tórax, uma pielografia endovenosa (uma radiografia que permite ver os rins e os ureteres), uma gamagrafia dos ossos e do fígado, uma sigmoidoscopia (um exame do recto através de um tubo) e uma linfografia (uma radiografia dos vasos linfáticos nos quais se injectou um contraste). Nem todos estes exames são necessários em todos os casos.

Tratamento do cancro do útero

A histerectomia, que consiste na extirpação cirúrgica do útero, é a base do tratamento de uma mulher com este tipo de cancro. Se o cancro não se tiver propagado para além do útero, a histerectomia é quase sempre curativa. Durante a operação, o cirurgião extrai normalmente as trompas de Falópio, os ovários (salpingooforectomia) e os gânglios linfáticos adjacentes. Em seguida, um anatomopatologista examina todos estes tecidos para descobrir se o cancro se espalhou e até onde o pode ter feito e, deste modo, poder decidir se é necessária a radioterapia depois da intervenção cirúrgica.

Hemorragia uterina anormal

O cancro do útero ou do colo uterino pode ser uma causa de hemorragia uterina anormal.

Embora o cancro pareça limitado, o médico pode aconselhar a administração de fármacos (quimioterapia) depois da cirurgia (Ver secção 16, capítulo 167) para o caso de terem ficado algumas células cancerosas que não tivessem sido detectadas. Geralmente, empregam-se hormonas que interrompem o crescimento do cancro. A administração de progestagénios (a partir da progesterona, uma hormona feminina que bloqueia os efeitos dos estrogénios e, de outras hormonas semelhantes) costuma dar bons resultados.

Se o cancro se tiver expandido para fora do útero, é possível que sejam necessárias doses mais altas de progestagénios, já que reduzem o tamanho do cancro até 40 % nas mulheres com metástases e controlam a sua expansão durante 2 a 3 anos. O tratamento pode continuar indefinidamente se for eficaz. Os efeitos secundários destes fármacos incluem aumento de peso pela retenção de líquidos e, por vezes, depressão.

Se o cancro se tiver expandido ou não responder ao tratamento hormonal, podem ser acrescentados outros fármacos (como a ciclofosfamida, a doxorrubicina e o cisplatino). Estes fármacos, que são muito mais tóxicos do que os progestagénios, têm muitos efeitos secundários. Por isso, antes de escolher um determinado tratamento avaliam-se cuidadosamente os riscos e os benefícios da quimioterapia anticancerosa.

Do total das mulheres afectadas, quase dois terços sobrevivem e não manifestam sinais de cancro 5 anos depois do diagnóstico, menos de um terço morre por causa desta doença e quase uma décima parte sobrevive mais tempo, embora continue a ter o cancro. Se o cancro é descoberto nas suas primeiras fases, quase 90 % das mulheres têm uma esperança de vida de, pelo menos, 5 anos e a maioria cura-se.

O índice de sobrevivência é maior nas mulheres mais jovens, naquelas cujo cancro não ultrapassou o útero e quando o cancro tem um crescimento mais lento.



FACTORES DE RISCO DO CANCRO DO ÚTERO
  • Menopausa depois dos 52 anos
  • Problemas menstruais (como, por exemplo, sofrer hemorragias excessivas, perdas de sangue entre períodos menstruais ou passar longos intervalos sem menstruação)
  • Não ter tido filhos
  • Exposição a elevados níveis de estrogénio (a principal hormona feminina) a partir de tumores secretores de estrogénios ou elevadas doses de fármacos que os contenham, como a terapia de reposição de estrogénios sem progesterona depois da menopausa
  • Tratamento com tamoxifeno
  • Obesidade
  • Tensão arterial elevada (hipertensão)
  • Diabetes

 

Fonte: Manual MSD

Partilhe.

Deixe o seu comentário