Alzheimer

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 A Doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência, constituindo cerca de 50% a 70% de todos os casos.

 

A Patologia de Alzheimer é neurodegenerativa e é um tipo de demência mais comum, em mais de 50% dos casos. O Alzheimer provoca a deterioração global, progressiva e irreversível de diversas funções cognitivas, tais como:

  • memória,
  • atenção,
  • concentração,
  • linguagem,
  • pensamento,
  • entre outras.

Este processo de deterioração provocado pelo Alzheimer altera o comportamento, a personalidade e na capacidade funcional da pessoa, dificultando as actividades do quotidiano.

Progressivamente as células cerebrais vão sofrendo uma diminuição, de tamanho e número, formam-se tranças neurofibrilhares no seu interior e placas senis no espaço exterior existente entre elas. Isto impossibilita a comunicação no cérebro e prejudica as conexões existentes entre as células cerebrais. Posteriormente estas morrem e isto cria uma incapacidade de recordar a informação. Com o avançar do desenvolvimento da patologia do Alzheimer outras áreas cerebrais perdem capacidade e quando isto acontece raramente a pessoa consegue recuperar esta mesma capacidade.

Existem dois tipos Doença de Alzheimer:

  • Doença de Alzheimer esporádica
    • Pode afectar adultos em qualquer idade, embora seja mais frequente após os 65 anos. É o tipo mais comum de Doença de Alzheimer. É possível que algumas pessoas possam herdar a probabilidade para desenvolver posteriormente. O ApoE14 é o gene associado a um ligeiro aumento do risco de desenvolver Doença de Alzheimer.
    • Actualmente o factor de risco para o desenvolvimento da Doença de Alzheimer é a existência prévia de um traumatismo craniano severo.
  • Doença de Alzheimer Familiar
    • Uma forma menos comum, em que doença é transmitida de uma geração para outra. Há a 50% de probabilidade de cada filho herdar o gene mutado. A existência deste gene cria a possibilidade de desenvolver a doença de Alzheimer a partir dos 40 anos. Contudo este tipo afecta um numero reduzido de pessoas.

Sintomas

Na fase inicial os sintomas podem ser subtis, normalmente começam por pequenas falhas de memória e dificuldade em encontrar as palavras adequadas para os objectos quotidianos. Estes sintomas vão agravando com o tempo, pois as células cerebrais vão morrendo e a comunicação fica alterada

Outros sintomas da Doença de Alzheimer são:

•    Dificuldades de memória persistentes e frequentes, especialmente de acontecimentos recentes;
•    Apresentar um discurso vago durante as conversações;
•    Perder entusiasmo na realização de actividades, anteriormente apreciadas;
•    Demorar mais tempo na realização de actividades de rotina;
•    Esquecer-se de pessoas ou lugares conhecidos;
•    Incapacidade para compreender questões e instruções;
•    Deterioração de competências sociais;
•    Imprevisibilidade emocional.

Os sintomas vão variando conforme o estado da doença e variam conforme a pessoa e as áreas que estão a ser afectadas.

 

Consoante as pessoas e as áreas cerebrais afetadas, os sintomas variam e a doença progride a um ritmo diferente. As capacidades da pessoa podem variar de dia para dia ou mesmo dentro do próprio dia, podendo piorar em períodos de stress, fadiga e problemas de saúde. No entanto, o certo é que vai existir uma deterioração ao longo do tempo. A Doença de Alzheimer é progressiva e degenerativa e, atualmente, irreversível.

Qual a causa da Doença de Alzheimer?

Os investigadores estão a descobrir rapidamente mais dados sobre as alterações químicas que provocam danos às células cerebrais na Doença de Alzheimer. Mas para além das pessoas que desenvolvem a Doença de Alzheimer Familiar, não se conhece o motivo pelo qual uma pessoa desenvolve a doença e outra não.

Estão a ser investigadas várias causas suspeitas da Doença de Alzheimer, incluindo fatores ambientais, perturbações bioquímicas e processos imunitários. A causa pode variar de pessoa para pessoa e pode ser devida a um ou a vários fatores.

Quem desenvolve a Doença de Alzheimer?

Qualquer pessoa pode desenvolver a Doença de Alzheimer. No entanto, é mais comum acontecer após os 65 anos. A taxa de prevalência da demência aumenta com a idade. A nível mundial, a demência afeta 1 em cada 80 mulheres, com idades compreendidas entre os 65 e 69 anos, sendo que no caso dos homens a proporção é de 1 em cada 60. Nas idades acima dos 85 anos, para ambos os sexos, a Demência afeta aproximadamente 1 em cada 4 pessoas.

Como é que a Doença de Alzheimer é diagnosticada?

Atualmente não existe qualquer teste específico para identificar a Doença de Alzheimer. O diagnóstico é realizado após uma observação clínica cuidadosa. O diagnóstico clínico pode incluir a realização de: história médica detalhada, exame físico e neurológico aprofundado; exame do funcionamento intelectual; avaliação psiquiátrica; avaliação neuropsicológica; e análises laboratoriais ao sangue e urina.

Estes exames irão ajudar a excluir a existência de outras doenças, que têm sintomas similares, tais como carências nutricionais e depressão. Após a eliminação de outras causas, o diagnóstico clínico da Doença de Alzheimer pode ser realizado com uma precisão de 80% a 90%. O diagnóstico só pode ser confirmado após o falecimento da pessoa, através da observação do tecido cerebral.

É importante ter um diagnóstico preciso o mais cedo possível, para determinar se a situação clínica da pessoa é devida à Doença de Alzheimer ou se os sintomas estão a ser causados por outra doença, diferente ou rara, que requeira um tratamento específico.

Como é que a Doença de Alzheimer progride?

A progressão da doença varia de pessoa para pessoa. Mas a doença acaba por levar a uma situação de dependência completa e, finalmente, à morte. Uma pessoa com Doença de Alzheimer pode viver entre três a vinte anos, sendo que a média estabelecida é de sete a dez anos.

Existe algum tratamento disponível?

Até à presente data não existe cura para a Doença de Alzheimer. No entanto, existem algumas medicações que parecem permitir alguma estabilização do funcionamento cognitivo nas pessoas com Doença de Alzheimer, nas fases ligeira e moderada.

Os medicamentos também podem ser prescritos para sintomas secundários, como inquietude e depressão, ou para ajudar a pessoa com Doença de Alzheimer a dormir melhor.

A Alzheimer Portugal fornece apoio, informação, formação e aconselhamento para as pessoas afetadas pela Demência, seja os próprios doentes ou os seus familiares. Este apoio pode fazer uma diferença positiva na forma de gerir a doença.

 

Tratamentos

Terapêutica Farmacológica

Demência é o termo utilizado para descrever os sintomas de um grupo alargado de doenças que causam um declínio progressivo no funcionamento da pessoa. É um termo abrangente que descreve a perda de memória, capacidade intelectual, raciocínio, competências sociais e alterações daquilo que seriam consideradas reações emocionais normais. A Demência causa um prejuízo significativo no funcionamento diário da pessoa.

Fármacos utilizados no tratamento dos sintomas cognitivos da Demência

Em Portugal existem, atualmente, vários fármacos disponíveis para as pessoas com Demência. Estes dividem-se em duas categorias: terapêutica colinérgica e Memantina.

Terapêutica Colinérgica

Em algumas pessoas e durante um período de tempo limitado, os fármacos colinérgicos produzem alívio dos sintomas da Doença de Alzheimer. Estes fármacos, conhecidos como inibidores da acetilcolinesterase, bloqueiam as ações da enzima acetilcolinesterase, que é responsável pela destruição de um neurotransmissor importante denominado – acetilcolina. A atual terapêutica colinérgica está indicada para pessoas com Doença de Alzheimer, nas fases ligeira e moderada. Os inibidores da acetilcolinesterase são comparticipados pelo Serviço Nacional de Saúde. As pessoas que foram diagnosticadas com Demência podem adquirir os medicamentos com comparticipação, desde que sejam prescritos por um médico neurologista ou psiquiatra.

Saiba mais sobre Terapêutica Colinérgica

Memantina

A Memantina atua num neurotransmissor denominado – glutamato. Este está presente em concentrações elevadas nas pessoas com doença de Alzheimer. A Memantina bloqueia o glutamato e evita a entrada excessiva de cálcio nas células nervosas, o que iria causar danos nestas. A Memantina é a primeira de uma nova classe de fármacos e atua de forma muito diferente dos inibidores de acetilcolinesterase, que estão atualmente aprovados para o tratamento em Portugal.

A Memantina está indicada para pessoas com doença de Alzheimer nas fases moderadamente grave e grave. É um medicamento comparticipado pelo Serviço Nacional de Saúde.

Saiba mais sobre a Memantina.

Como obter a medicação

É importante que a pessoa tenha um diagnóstico de Doença de Alzheimer e não de outra forma de demência, e que a fase atual da doença esteja determinada.

A prescrição deste tipo de medicamentos é realizada por um médico especialista – neurologista ou psiquiatra.

Tratamento de outros sintomas associados à Demência

A demência causa, frequentemente, vários sintomas comportamentais e psicológicos que podem provocar muita angústia, como por exemplo: depressão; ansiedade; insónia; alucinações; ideias de perseguição; identificação incorreta de parentes ou lugares; agitação; e comportamento agressivo. Estes sintomas podem melhorar com a transmissão de tranquilidade à pessoa, realização de uma mudança de ambiente ou eliminação da origem do sofrimento, por exemplo: da dor. No entanto, por vezes, a medicação será necessária para aliviar os sintomas.

Antipsicóticos

Os antipsicóticos, também conhecidos como neurolépticos ou tranquilizantes maiores, são utilizados para controlar a agitação, agressividade, delírios e alucinações. Os antipsicóticos “típicos” tal como haloperidol (Haldol) já não são os maioritariamente utilizados. Estes podem ter efeitos secundários significativos que incluem: sedação excessiva, vertigens, instabilidade e sintomas que se assemelham aos da doença de Parkinson (tremor, lentidão e rigidez dos membros). As pessoas mais idosas são mais propensas a apresentar estes efeitos secundários. Os antipsicóticos típicos podem ser particularmente perigosos para as pessoas com Demência com Corpos de Lewy.

Os antipsicóticos mais recentes – “antipsicóticos atípicos”, tais como risperidona (Risperdal) e olanzapina (Zyprexa), têm menos efeitos secundários e são mais comummente utilizados. Estes parecem ser úteis no tratamento da agressividade e psicose, mas podem estar associados a um aumento significativo do risco de acidente vascular cerebral. Qualquer que seja o medicamento utilizado é importante existir um equilíbrio entre os benefícios e os possíveis efeitos secundários, bem como manter a pessoa regularmente e cuidadosamente vigiada.

Fármacos para o tratamento da depressão

Os sintomas depressivos são extremamente comuns nas pessoas com Demência. De um modo geral, a depressão pode ser tratada eficazmente com anti-depressivos, mas deve ser assegurado que o tratamento é realizado com o menor número de efeitos secundários possível.

Fármacos para o tratamento da ansiedade

Os estados de ansiedade, acompanhados de ataques de pânico e de medo irracional, podem ser muito aflitivos para uma pessoa com Demência e criar uma situação de stress nos familiares e cuidadores. As benzodiazepinas são um grupo de medicamentos que podem ajudar a aliviar a ansiedade de curta duração. Apesar de serem muito eficazes na redução imediata da ansiedade, a maioria dos indivíduos apresenta uma habituação rápida aos seus efeitos e decorrente desta situação tornam-se menos benéficas com o passar do tempo. A interrupção das benzodiazepinas está frequentemente associada ao retorno dos sintomas de ansiedade e não deve ser realizada sem supervisão médica.

Fármacos para o tratamento das perturbações do sono

Acordar persistentemente e vaguear durante a noite pode originar uma série de dificuldades. Muitos fármacos prescritos para a Demência podem causar sedação excessiva durante o dia, o que leva a que a pessoa não consiga dormir à noite. Aumentar a estimulação durante o dia pode reduzir a necessidade de medicamentos indutores do sono, à noite. Os fármacos para tratar as perturbações do sono devem ser utilizados como último recurso, uma vez que as pessoas podem tornar-se dependentes deles e a paragem deste tipo de medicação pode ser seguida pelo regresso da insónia e ansiedade.

Lembre-se que…

  • Todo e qualquer medicamento só pode ser prescrito por um médico. Só o médico tem conhecimentos para prescrever um medicamento, alterar a sua dosagem ou eliminar o medicamento do tratamento da pessoa;
  • Todos os fármacos podem ter efeitos secundários, alguns dos quais podem piorar a sintomatologia da pessoa;
  • Deve perguntar ao médico porque é que o medicamento está ser prescrito e que efeitos secundários podem ocorrer;
  • Um fármaco que é útil no tempo presente pode vir a ser ineficaz no futuro devido às mudanças progressivas causadas pela Demência;
  • Não deve esperar resultados imediatos. Os benefícios podem demorar várias semanas a surgir, especialmente no caso dos antidepressivos. Converse com o médico sobre esta situação;
  • É importante que o tratamento seja reavaliado regularmente;
  • Deve manter um registo de todos os medicamentos, incluindo dos medicamentos alternativos e levá-lo para as consultas médicas;
  • Muitas pessoas com Demência tomam vários fármacos para sintomas diferentes. É importante conversar com o médico sobre qualquer interferência que os medicamentos possam ter uns sobre os outros.

 

Questões que pode colocar ao médico, caso sejam prescritos fármacos

  • Quais são os potenciais benefícios de tomar este medicamento?
  • Quanto tempo vai demorar até notar uma melhoria?
  • O que se deve fazer no caso de uma dose não ser tomada?
  • Quais são os efeitos secundários conhecidos?
  • O medicamento deve ser interrompido caso existam efeitos secundários?
  • O que é que acontece se o medicamento for interrompido de repente?
  • Que outros medicamentos (prescritos e de venda livre) podem interagir com o medicamento?
  • Como é que este medicamento pode afetar outras situações clínicas?
  • Existem algumas alterações que devem ser comunicadas imediatamente?
  • Com que frequência se deve realizar uma consulta com o médico que prescreveu a medicação?
  • Este medicamento é comparticipado?

Todas as informações aqui prestadas são para conhecimento geral e não representam, por parte da Alzheimer Portugal, qualquer recomendação para a utilização de um fármaco específico.

Inibidores da Colinesterase

Existem vários medicamentos aprovados em Portugal para a Doença de Alzheimer. Aqui pode encontrar informação sobre os três medicamentos designados por inibidores da colinesterase.

Os inibidores da colinesterase promovem um alívio dos sintomas da Doença de Alzheimer em algumas pessoas, durante um período limitado de tempo. Estes medicamentos são comparticipados pelo Serviço Nacional de Saúde. Atualmente não existem fármacos aprovados para as outras formas de Demência.

Acetilcolina

As células nervosas do cérebro comunicam umas com as outras através da libertação de substâncias químicas; estas substâncias químicas são denominadas por neurotransmissores. A acetilcolina é um neurotransmissor importante para a memória. As pessoas com Doença de Alzheimer têm níveis baixos de acetilcolina no cérebro.

As enzimas designadas colinesterases destroem a acetilcolina no cérebro. Se a sua ação for inibida, mais acetilcolina estará disponível para a comunicação entre os neurónios.

Como funcionam os fármacos inibidores da colinesterase

Os fármacos inibidores da colinesterase travam ou inibem as enzimas de destruir a acetilcolina, quando esta passa de uma célula para outra. Isto significa que a acetilcolina, que existe em menores concentrações nas pessoas com Doença de Alzheimer, não é destruída tão rapidamente, o que leva a uma maior possibilidade de passar para a célula nervosa seguinte.

Os inibidores da colinesterase têm como resultado concentrações mais elevadas de acetilcolina, conduzindo a um acréscimo da comunicação entre as células nervosas, o que por sua vez pode, temporariamente, melhorar ou estabilizar os sintomas da Demência.

A utilização de inibidores da colinesterase é apenas uma das abordagens farmacológicas possíveis para o tratamento dos sintomas da Doença de Alzheimer. Existem outros neurotransmissores envolvidos, que também podem ser importantes.

O que é que os fármacos inibidores da colinesterase fazem?

O efeito destes fármacos varia consoante as pessoas. Algumas não notam qualquer efeito. Outras podem sentir que seus sintomas melhoram ligeiramente. E outras ainda, apesar de esperarem que os seus sintomas se agravassem progressivamente, ficam estabilizadas na mesma situação. Não existe maneira de prever como um indivíduo irá responder aos fármacos.

As áreas em que algumas pessoas com Doença de Alzheimer sentem melhorias são:

  • Capacidade de pensar com clareza;
  • Memória;
  • Funcionamento nas atividades diárias;
  • Sintomas comportamentais e psicológicos;

 

Os fármacos funcionam durante quanto tempo?

Os ensaios indicam que os inibidores da colinesterase, em média, retardam a progressão dos sintomas cerca de 9 a 12 meses. O que não significa que estes fármacos devam ser interrompidos após os 9 meses, uma vez que a interrupção pode fazer com que o atraso na progressão dos sintomas se perca. Algumas pessoas com Demência relatam benefícios por períodos de tempo mais longos e algumas pesquisas recentes demonstraram que estes benefícios podem durar até cinco anos.

Fármacos inibidores da colinesterase registados em Portugal

Atualmente existem três inibidores da colinesterase licenciados para utilização em Portugal. De seguida apresentam-se informações gerais sobre estes medicamentos, que só podem ser prescritos por um médico. Antes de tomar o medicamento deve ler a bula com atenção.

  • Donepezil

O nome genérico deste medicamento é donepezil. É tomado uma vez por dia e pode ser administrado com ou sem alimentos. Está disponível em comprimidos de 5 mg ou 10 mg. De um modo geral, inicialmente é prescrita a dose mais baixa, após um mês de tratamento a dose é aumentada para um comprimido de 10 mg por dia.

  • Rivastigmina

Rivastigmina é o nome genérico deste medicamento.

Cápsulas
A Rivastigmina é tomada duas vezes por dia, normalmente nas refeições da manhã e da tarde. A dose é aumentada gradualmente a partir de 1.5 mg, duas vezes por dia, até um máximo de 6 mg, duas vezes por dia. Estão disponíveis cápsulas de 1.5, 3, 4.5 e 6 mg.

Solução oral
A solução líquida pode ser tomada diretamente ou misturada com água ou sumo de fruta.

Adesivo Transdérmico
A Rivastigmina também está disponível em adesivo transdérmico, em que a administração do fármaco é feita através da pele, em vez de ser por via oral, o que pode reduzir os efeitos secundários gastrointestinais. Existem adesivos transdérmicos de 5mg e 10mg. O tratamento geralmente começa com um adesivo transdérmico de 5mg por dia. Ao fim de um mês a dose é, geralmente, aumentada para 10mg por dia.

  • Galantamina

O nome genérico para este medicamento é galantamina. A galantamina está disponível em cápsulas de libertação prolongada de 8, 16 e 24 mg. É tomada uma vez por dia, de preferência às refeições. Normalmente, no início do tratamento é prescrita a dose mais baixa. Após um mês, pode aumentar-se gradualmente até atingir a dose mais adequada.

Existem efeitos secundários?

Algumas pessoas que tomam os inibidores da colinesterase experimentam alguns efeitos secundários. Os potenciais efeitos secundários destes fármacos são mais comuns quando alguém os toma pela primeira vez e na maioria das vezes diminuem com o tempo. Os efeitos secundários mais prováveis são a diarreia, náuseas, vómitos, cãibras musculares, diminuição da tensão arterial, insónia, fadiga e perda de apetite. Outros efeitos secundários relatados são as tonturas e os pesadelos. Se a dose for aumentada gradualmente, a probabilidade de ocorrência de efeitos secundários será menor.

É necessário ter cuidado nas pessoas que têm história de úlcera péptica, asma, doença hepática ou renal ou frequência cardíaca muito lenta.
O tipo e a taxa de efeitos secundários variam dependendo do medicamento prescrito e da resposta individual do utilizador. Recomenda-se que esta questão seja discutida com seu médico.

Estes fármacos são eficazes para todas as pessoas com Demência?

Existem algumas evidências de que quanto mais cedo iniciar estes fármacos, melhor será para a pessoa.

Os ensaios clínicos sugerem que os inibidores da colinesterase podem proporcionar benefícios limitados nas pessoas que estão nos estádios mais avançados da Doença de Alzheimer e nas pessoas com Demência com corpos de Lewy e Demência vascular.

Existem, também, pesquisas em curso para a utilização de formas alternativas dos inibidores da colinesterase, tais como formas de libertação lenta e injetáveis, que podem ajudar as pessoas que não respondem às formas atualmente disponíveis ou não toleram os efeitos secundários.

Os ensaios clínicos não demonstraram diferenças na eficácia dos inibidores da colinesterase em relação ao sexo, idade ou origem étnica.
Estes fármacos tratam apenas os sintomas da doença de Alzheimer e não são uma cura – não existe qualquer evidência de que possam travar ou reverter o processo de lesão celular que causa a doença. É, também, importante compreender que estes fármacos não ajudam todas as pessoas que os experimentam e que não se consegue prever a resposta de um indivíduo ao tratamento.

Como obter tratamento

É importante que a pessoa tenha um diagnóstico e avaliação adequada para determinar se tem Doença de Alzheimer e se está no estádio ligeiro a moderado da doença.

A avaliação e prescrição destes fármacos é realizada por um especialista, tal como um neurologista ou psiquiatra.

Sempre que uma pessoa começar a tomar um medicamento novo, o médico, paciente e familiares devem discutir os potenciais efeitos secundários e a forma como o fármaco pode interagir com os outros medicamentos que a pessoa esteja a tomar.

Todo e qualquer medicamento só pode ser prescrito por um médico. Só o médico tem conhecimentos para prescrever um medicamento, alterar a sua dosagem ou eliminar o medicamento do tratamento da pessoa;

Existe algum subsídio disponível para estes fármacos?

Os medicamentos Donepezil, Rivastigmina e Galantamina são comparticipados, escalão C (37%), pelo Serviço Nacional de Saúde. Os pensionistas com determinados rendimentos beneficiam ainda de um acréscimo na comparticipação de 15% ou 95% para os casos em que o preço de venda ao público exceda certo valor.*

Que perguntas deve fazer ao seu médico sobre qualquer medicamento que lhe seja prescrito?

  • Quais são os potenciais benefícios de tomar este medicamento?
  • Quanto tempo demora até se sentir alguma melhoria?
  • O que se deve fazer quando não se tomar uma dose?
  • Quais são os potenciais efeitos secundários?
  • Se existirem efeitos secundários, a dose deve ser reduzida ou o medicamento deve ser interrompido?
  • O que acontece se o medicamento for interrompido de repente?
  • Que outros medicamentos (prescritos ou de venda livre) podem interagir com esta medicação?
  • Como é que este medicamento pode afetar outras condições médicas?
  • Existem algumas alterações que devem ser reportadas imediatamente?
  • Quantas consultas com o médico serão necessárias?
  • O medicamento é comparticipado?

A Alzheimer Portugal reconhece que os fármacos para a Doença de Alzheimer atualmente licenciados não são uma cura. Contudo, é evidente que estes fármacos melhoram a qualidade de vida de alguns indivíduos com Doença de Alzheimer

Memantina

A memantina é um dos vários fármacos disponíveis para o tratamento da Doença de Alzheimer. Este fármaco pode aliviar os sintomas nas fases intermédias e avançadas da Doença de Alzheimer.

Como funciona a memantina?

A memantina pertence a um grupo de medicamentos designados antagonistas dos recetores N-metil-D-aspartato (NMDA). A memantina tem como alvo o glutamato, que é um neurotransmissor. Os neurotransmissores ajudam a transmitir as mensagens de uma célula cerebral para a célula seguinte. Cada célula nervosa tem um conjunto específico de recetores, que são responsáveis por receberem o glutamato proveniente da célula vizinha.

O glutamato está presente em concentrações mais elevadas nas pessoas que têm Doença de Alzheimer. Quando o glutamato está presente em concentrações elevadas liga-se aos recetores permitindo a entrada excessiva de cálcio nas células cerebrais, o que vai provocar danos nestas. A memantina liga-se aos mesmos recetores, bloqueando o glutamato, o que vai impedir a entrada em demasia de cálcio nas células cerebrais.

A utilização da memantina é apenas uma das várias abordagens farmacêuticas possíveis para o tratamento dos sintomas da Doença de Alzheimer.

O que é que a memantina faz?

O efeito da memantina varia de pessoa para pessoa. Algumas pessoas não notam qualquer efeito. Outras descobrem que sua condição melhora um pouco, ou que permanecem na mesma, quando esperavam ficar progressivamente piores.

As áreas em que algumas pessoas com Doença de Alzheimer podem sentir melhorias são:

  • Funcionamento nas atividades diárias (ex.: lavar-se, vestir-se);
  • Uma alteração global no pensamento, funcionamento e comportamento (ex.: lembrar-se das rotinas, orientação, competências linguísticas);

 

Informações gerais sobre o medicamento

A Memantina só pode ser prescrita por um médico. Antes de tomar o medicamento deve ler a bula. Está disponível em comprimidos de 10 mg e de 20 mg ou em solução oral (gotas). Os comprimidos e as gotas devem ser engolidos com água e podem ser administrados com ou sem alimentos. Habitualmente as pessoas começam com uma dose baixa, de 5 mg uma vez por dia. A dose é gradualmente aumentada, ao longo de cerca de quatro semanas, até atingir uma dose de manutenção, tipicamente de 20 mg uma vez por dia.

Este medicamento tem efeitos secundários?

Um pequeno número de pessoas que tomam memantina experiencia efeitos secundários que geralmente são ligeiros a moderados. Estes efeitos secundários podem incluir alucinações, confusão, tonturas, dores de cabeça e cansaço. Fale com o seu médico se estes sintomas ocorrerem.

A memantina não é recomendada nas pessoas com problemas renais graves. É necessária precaução em pessoas com história de epilepsia, doença hepática, problemas cardíacos ou tensão arterial elevada.

A memantina é eficaz em todas as pessoas com Demência?

A memantina não ajuda todas as pessoas que a tomam. A memantina trata os sintomas da Doença de Alzheimer e não é uma cura – não existe nenhuma evidência de que consegue interromper ou reverter o processo de dano celular que causa a doença.

A memantina está aprovada para utilização em pessoas com Doença de Alzheimer moderadamente grave. Existe alguma evidência de que a memantina também pode ser eficaz nas pessoas com Doença de Alzheimer nas fases ligeira a moderada. A investigação demonstrou que a memantina também pode ser eficaz nas pessoas que sofrem de Demência Vascular.

Os ensaios clínicos não demonstraram nenhuma diferença na eficácia da memantina em relação ao género.

Como é que a memantina interage com outros medicamentos para a Doença de Alzheimer?

A memantina funciona de forma diferente dos inibidores da colinesterase, que também estão aprovados em Portugal para o tratamento da Doença de Alzheimer. As pessoas podem tomar a memantina, quer como terapia isolada ou em combinação com um inibidor da colinesterase. Existem algumas evidências preliminares de que a combinação da memantina com um inibidor da colinesterase pode ser mais eficaz do que tomar apenas um inibidor da colinesterase, mas ainda é necessário desenvolver-se mais investigação.

Como obter tratamento

É importante que a pessoa tenha um diagnóstico e avaliação adequada para certificar que tem Doença de Alzheimer e para determinar se está na fase moderadamente grave da doença. Um especialista, tal como um neurologista ou psiquiatra, estará geralmente envolvido nesta avaliação e na prescrição deste fármaco.

Todo e qualquer medicamento só pode ser prescrito por um médico. Só o médico tem conhecimentos para prescrever um medicamento, alterar a sua dosagem ou eliminar o medicamento do tratamento da pessoa;

Existe algum subsídio disponível para este fármaco?

A memantina é comparticipada, no escalão C (37%), pelo Serviço Nacional de Saúde. Os pensionistas com determinados rendimentos beneficiam ainda de um acréscimo na comparticipação de 15% ou 95% para os casos em que o preço de venda ao público exceda certo valor.*

Onde posso obter mais informação?

As informações sobre a medicação e as comparticipações sofrem alterações regularmente. O despacho mais recente sobre a comparticipação destes medicamentos é o Despacho n.º 13020/2011 do Diário da Republica n.º 188, Série II de 29/09/2011 e está disponível em: http://www.sg.min-saude.pt/NR/rdonlyres/B9EBB192-952E-4C97-94FD-6B54A9F75A58/27524/3884838849.pdf.

O seu médico de família, especialista e farmacêutico também são importantes fontes de informação.

Que perguntas deve fazer ao seu médico sobre qualquer medicamento que lhe seja prescrito?

  • Quais são os potenciais benefícios de tomar este medicamento?
  • Quanto tempo demora até se sentir alguma melhoria?
  • O que se deve fazer quando não se tomar uma dose?
  • Quais são os potenciais efeitos secundários?
  • Se existirem efeitos secundários, a dose deve ser reduzida ou o medicamento deve ser interrompido?
  • O que acontece se o medicamento for interrompido de repente?
  • Que outros medicamentos (prescritos ou de venda livre) podem interagir com esta medicação?
  • Como é que este medicamento pode afetar outras condições médicas?
  • Existem algumas alterações que devem ser reportadas imediatamente?
  • Quantas consultas com o médico serão necessárias?
  • O medicamento é comparticipado?

A Alzheimer Portugal reconhece que os fármacos atualmente licenciados para a Doença de Alzheimer não são uma cura. Contudo, é evidente que estes fármacos melhoram a qualidade de vida de alguns indivíduos com Doença de Alzheimer.

Tratamento da Doença de Alzheimer e da Demência vascular: a utilização de outras terapêuticas

Para além dos vários fármacos aprovados para utilização no tratamento da Doença de Alzheimer, existe um interesse considerável na utilização de outras terapêuticas. Aqui pode encontrar um breve resumo da informação sobre algumas.

Devido à possibilidade de existência de efeitos secundários e de interações medicamentosas, é importante que nunca tome nenhum medicamento sem consultar o seu médico.

Encontrar evidências para o tratamento da Demência

Até à data, a maior parte da informação que temos sobre o tratamento da Demência provém de estudos epidemiológicos em que os indivíduos que tomaram a terapêutica são comparados com um grupo de controlo de indivíduos que não a tomaram.

Outra informação provém de pesquisas que utilizam métodos diferentes.

Estas incluem:

  • Estudos abertos que não tinham um grupo de controlo ou ensaios controlados que não têm uma amostra suficientemente grande para demonstrarem um efeito;
  • Estudos duplo-cego em que o participante e o médico não têm conhecimento da terapêutica que está a ser administrada à pessoa;
  • Ensaios clínicos randomizados em que os participantes são distribuídos aleatoriamente entre um grupo que está a receber o tratamento e um grupo que não está a receber o tratamento.

Têm de ser realizados ensaios prospetivos duplo-cego randomizados com placebo em larga escala, para confirmar o valor de tomar um medicamento ou suplemento para o tratamento da Demência.

Para a maioria das terapêuticas descritas nesta ficha de atualização, estes ensaios estão a decorrer ou ainda não foram realizados.

Perspetivas para o tratamento da Doença de Alzheimer e Demência vascular

 

  • Tratamento com estrogénio

O estrogénio parece ter vários efeitos benéficos no cérebro e é possível que possa protege-lo da deterioração, de várias maneiras.

Tem sido sugerido que a terapêutica de substituição estrogénica para as mulheres na pós-menopausa pode atrasar o início da Doença de Alzheimer ou evitar que as mulheres pós-menopáusicas desenvolvam a Doença de Alzheimer.

Os dados de vários estudos de caso controlados descobriram que a substituição do estrogénio pode estar associada a um risco 30% menor de desenvolver a Doença de Alzheimer. No entanto, alguns destes estudos foram enviesados, porque os indivíduos que tomaram estrogénio divergiam dos indivíduos que não tomaram em variáveis básicas, tais como a educação e a classe social.

Nenhum estudo randomizado controlado tem demonstrado que o estrogénio evita a Doença de Alzheimer ou que diminua a possibilidade de desenvolvê-la. Aliás, no estudo Women’s Health Initiative Memory Study, o estrogénio (só ou combinado com progesterona) aumentou a possibilidade de desenvolver a Doença de Alzheimer.

Dois estudos recentes que utilizaram estrogénios para tratar a Doença de Alzheimer não encontraram absolutamente nenhum benefício para as mulheres que já têm Doença de Alzheimer. Mais, algumas terapêuticas de substituição hormonal foram associadas a um risco aumentado de Demência e podem, por implicação, agravar a Demência já presente.
O estrogénio tem efeitos significativos, bons e maus, quando tomado após a menopausa. Os especialistas no tratamento de pacientes com Doença de Alzheimer em Portugal não recomendam a utilização do estrogénio no tratamento de mulheres em risco de desenvolver Doença de Alzheimer ou em mulheres que têm a Doença de Alzheimer, embora não seja contraindicado na Doença de Alzheimer, se for utilizado para outros fins, tais como o tratamento de sintomas pós-menopausa.

  • Medicamentos anti-inflamatórios

Os medicamentos anti-inflamatórios neutralizam ou suprimem o processo inflamatório. Estes medicamentos incluem os anti-inflamatórios não esteroides (AINE), que para além de aliviarem a dor, têm um efeito de redução da inflamação quando utilizados ao longo de um período de tempo. Os inibidores COX-2 são a geração mais recente de AINE, que geralmente são tão eficazes quanto os AINE tradicionais, mas apresentam um menor risco de efeitos secundários.

Contudo, até à presente data, todos os ensaios clínicos indicam que os medicamentos anti-inflamatórios não têm um efeito útil no tratamento da Doença de Alzheimer já estabelecida.

Alguns estudos de caso controlados sugeriram que as pessoas que tomam medicamentos anti-inflamatórios podem apresentar um menor risco de desenvolver a Doença de Alzheimer, do que as pessoas que não tomaram esses medicamentos. Todavia, estes resultados não foram confirmados em ensaios clínicos aleatórios controlados com placebo, em pessoas em risco de desenvolver Doença de Alzheimer. Um ensaio clínico realizado numa grande população sem Demência, o ensaio ADAPT, foi interrompido devido a preocupações sobre os efeitos secundários de um dos agentes anti-inflamatórios.

Os medicamentos anti-inflamatórios têm uma ampla variedade de efeitos secundários potencialmente graves e a sua utilização para o tratamento ou prevenção da Doença de Alzheimer é inapropriada no momento atual.

  • Folato e Vitamina B12

O folato (ácido fólico) é um nutriente que ocorre naturalmente e é essencial para a saúde das células do sangue e nervosas. Encontra-se em vegetais verdes, tais como espinafres e brócolos.

Os níveis elevados de ácido fólico no sangue diminuem o nível de uma outra substância denominada homocisteína, que normalmente está presente no sangue. Os níveis elevados de homocisteína no sangue estão associados a um aumento do risco de doença arterial coronária e acidente vascular cerebral.

Pelo menos dois estudos sugeriram que os níveis elevados de homocisteína e/ou níveis baixos de ácido fólico podem estar associados a uma maior probabilidade de mais tarde desenvolver a Doença de Alzheimer.

Um estudo de suplementação de folato nas pessoas com uma cognição normal demonstrou uma redução do risco de declínio cognitivo, mas atualmente não existe qualquer evidência de que o folato previna a Doença de Alzheimer.

A deficiência de vitamina B12, que aumenta os níveis de homocisteína, também tem sido associada a um aumento do risco de Doença de Alzheimer. Mais uma vez, são necessários ensaios prospetivos de tratamento para demonstrar os benefícios dos suplementos de vitamina B12.

  • Vitamina E

A vitamina E é uma vitamina lipossolúvel que ocorre naturalmente. A vitamina E pode proteger as células do corpo contra os efeitos do envelhecimento. Um estudo americano sugeriu que tomar vitamina E diminui o ritmo de deterioração nas pessoas com Doença de Alzheimer mais severa.

Actualmente a Associação Americana de Neurologia (American Association of Neurology) tem uma diretriz que sugere que a utilização de vitamina E deve ser considerada nos pacientes com Doença de Alzheimer estabelecida.

Na Austrália os especialistas que tratam a Doença de Alzheimer, diferem na avaliação dos possíveis benefícios da vitamina E. A vitamina E pode prolongar o tempo de sangramento e tornar mais provável uma hemorragia. A análise recente de vários estudos demonstra que tomar diariamente doses de vitamina E acima de 400mg aumenta a mortalidade e outros incidentes tal como o acidente vascular cerebral.

Não foram ainda publicados quaisquer estudos demonstrativos de que a vitamina E possa prevenir a Doença de Alzheimer. É necessário realizar mais ensaios prospetivos aleatórios controlados.

  • Estatinas

Estes medicamentos para reduzir o colesterol têm sido associados a um menor risco de desenvolver Demência. No entanto, até à data, nenhum estudo demonstrou que estas substâncias são eficazes no tratamento da Demência. Está a decorrer um grande estudo sobre a utilização da estatina e o Aricept.

  • Ginkgo Biloba

O Ginkgo Biloba deriva das folhas de uma árvore chinesa. Diz-se que tem propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes e antiplaquetárias. É um dos medicamentos alternativos mais comummente utilizado para os problemas cognitivos e está licenciado para o tratamento da Doença de Alzheimer na Alemanha. Até à data, foi sugerido que apenas o extracto EGb 761 tem um potencial benefício e estes benefícios são apenas moderados (cerca de metade das terapêuticas colinérgicas). Não preserva a memória nas pessoas com uma cognição normal.

É necessário desenvolver mais investigação, antes de se poder afirmar a sua eficácia como tratamento.

  • Brahmi

Esta preparação é comercializada como um revigorante de memória. No entanto, não existem dados clínicos que sugiram que é benéfica para as pessoas com Demência.

  • Outras substâncias

Uma grande variedade de outras substâncias tem sido testada no tratamento e, frequentemente, na prevenção da Demência. Contudo, até à data nenhuma demonstrou ser eficaz. Isto inclui a curcumina (encontrada no pó de caril), substâncias para tratar a diabetes, medicamentos para reduzir a tensão arterial, aspirina e substâncias para melhorar o fluxo sanguíneo.

O futuro

Existem ensaios a decorrer para avaliar os benefícios de uma vacina para a Doença de Alzheimer (que tem uma componente da proteína amilóide encontrada nas placas senis); dos inibidores das enzimas que produzem o amilóide e das terapêuticas que utilizam o fator de crescimento nervoso. Estas abordagens podem provar ser eficazes, mas ainda será necessário desenvolver muito trabalho.

Intervenção Não-Farmacológica

A intervenção não-farmacológica diz respeito a um conjunto de intervenções que visam maximizar o funcionamento cognitivo e o bem-estar da pessoa, bem como ajudá-la no processo de adaptação à doença. As atividades desenvolvidas têm como fim a estimulação das capacidades da pessoa, preservando, pelo maior período de tempo possível, a sua autonomia, conforto e dignidade.

O Tratamento da Doença de Alzheimer deve conciliar a intervenção farmacológica com a intervenção não-farmacológica*
* Resultados do Projecto European Collaboration on Dementia (Eurocode) conduzido pela Alzheimer Europe e financiado pela Comissão Europeia.

A Importância Da Estimulação Cognitiva

A estimulação cognitiva, nas suas diferentes modalidades, pode ter um papel terapêutico complementar, contribuindo para um melhor desempenho e melhor bem-estar do doente. É de supor que o grau de vigília que requer, e a carga lúdica que pode proporcionar, em alguns doentes e em determinadas circunstâncias, podem proporcionar aqueles desideratos. É essa a perceção que alguns casos clínicos nos proporcionam. Todavia, para uma medicina baseada na evidência, os estudos disponíveis não são conclusivos de uma eficácia transversal nas situações de demência, em si desde já tão diversas.

Dr. Celso Pontes, Coordenador da Comissão Científica da Alzheimer Portugal

A Estimulação Cognitiva
Nos últimos anos têm sido publicados diversos estudos na área da reabilitação cognitiva, nomeadamente com recurso a plataformas computorizadas de treino cognitivo. No entanto, torna-se complexo, perante o estado da arte atual, averiguar a eficácia neste tipo de estratégias de reabilitação cognitiva, o que em muito se deve às limitações inerentes aos estudos publicados, como por exemplo: não serem estudos randomizados, pela insuficiente caracterização dos grupos clínicos, pelos reduzidos tamanhos das amostras, por significativas lacunas ao nível do procedimento de avaliação neuropsicológica baseline e follow-up, pela inexistência de estudos com um follow-up de médio ou longo prazo, entre outras.

De um modo geral, as investigações têm evidenciado uma melhoria a curto prazo ao nível da capacidade funcional (atividades de vida diária) dos pacientes com queixas subjetivas de memória e com MCI (Miotto, Serrao, Guerra, et al., 2008; Rozzini, Costardi, Chilovi, et al., 2007), no entanto, os resultados não se têm confirmado nos pacientes com Doença de Alzheimer. A exemplo, Kurz e colaboradores (2009) demonstraram num estudo com follow-up de 4 semanas, que os pacientes com MCI (Défice Cognitivo Ligeiro) beneficiam de um programa de reabilitação cognitiva ao nível das AVD (Atividades da Vida Diária), do humor e do desempenho ao nível da memória. É ainda frequente que as conclusões de alguns destes estudos extrapolem de um modo demasiadamente positivo as implicações dos resultados encontrados. Na melhor das hipóteses parece ser razoável considerar que o treino cognitivo com base em programas de reabilitação cognitiva computorizada poderá contribuir para um adiamento da contínua progressão do défice cognitivo dos pacientes no espectro do MCI e AD.

Professora Isabel Santana, Membro da Comissão Científica da Alzheimer Portugal

Reduzir o Risco

7 dicas para reduzir o risco de desenvolver demência:

  • Lembre-se do seu Cérebro – mantenha o cérebro ativo
  • Lembre-se da sua alimentação – tenha uma alimentação saudável
  • Lembre-se do seu corpo – pratique exercício físico
  • Lembre-se da sua saúde – faça check-ups regularmente
  • Lembre-se da sua vida social – participe em atividades sociais
  • Lembre-se dos seus hábitos – não fume, beba com moderação e durma bem
  • Lembre-se da sua cabeça – proteja a sua cabeça de lesões

Lembre-se da sua Memória

Um cérebro saudável é importante em muitos aspetos da sua vida – os seus pensamentos, sentimentos e lembranças, a sua família, etc.

Não se sabe ainda como se pode prevenir ou curar a demência, mas existem muitas coisas que se pode fazer para manter o cérebro saudável com o avançar da idade. Ao adotar estas 7 dicas, estará a dar um grande passo para reduzir o risco de desenvolver Doença de Alzheimer.

Infelizmente, os grandes fatores de risco para a demência – a idade e os genes – não são possíveis de controlar. Por isso mesmo, é importante fazer o que está ao nosso alcance – adotar um estilo de vida saudável e alterar os nossos hábitos.

Não podemos garantir que adotando estas 7 dicas não irá desenvolver Doença de Alzheimer. No entanto, os estudos têm vindo a evidenciar que as pessoas que adotam estilos de vida saudáveis, têm um risco reduzido de vir a desenvolver demência.

Nunca é demasiado cedo para começar a cuidar da sua memória. Segundo os cientistas, as mudanças que ocorrem no nosso cérebro e que podem resultar em demência, começam a formar-se décadas antes dos primeiros sintomas aparecerem.

Lembre-se do seu Cérebro

Manter o cérebro ativo permite fortalecer as ligações entre as células cerebrais, contribuindo para uma mente saudável.

  • Faça atividades que envolvam novas aprendizagens;
  • Faça jogos de raciocínio, como palavras cruzadas, puzzles de letras e números, jogue xadrez, damas ou cartas;
  • Leia, escreva, converse, use o computador, aprenda uma nova língua, tire um curso;
  • Participe em atividades culturais, como assistir a jogos, concertos, ir a museus ou galerias de arte;
  • Procure descobrir quais os seus passatempos preferidos e pratique-os, por exemplo, pintura, costura, carpintaria;
  • Mesmo em casa, mantenha-se ativo: cozinhe novos pratos ou dedique-se ao seu jardim.

Lembre-se da sua alimentação

Uma alimentação equilibrada e saudável promove um cérebro saudável.

Reduza as gorduras saturadas:

  • Escolha carnes magras, frango e produtos lácteos com pouca gordura. Evite a manteiga, alimentos fritos, doces, bolos e bolachas.
  • Prefira alimentos saudáveis:
  • Gorduras Insaturadas: azeite, óleo de girassol, abacate, azeitonas, nozes, sementes e peixe;
  • Ácidos Gordos Ómega-3: soja, margarina, peixe (especialmente gordos, como salmão, cavala, atum e sardinha);
  • Alimentos ricos em Antioxidantes: ameixas, uvas passas, mirtilos, outras bagas, espinafres, couve de Bruxelas, ameixas, brócolos, beterraba, abacate, laranjas, uvas vermelhas, pimenta vermelha, cerejas, kiwis, cebola, milho e beringela;
  • Bebidas ricas em antioxidantes: chá verde, sumos de frutas, legumes e vinho tinto (com moderação);
  • Alimentos ricos em Ácido Fólico: laranja, morango, banana, espinafres, espargos, brócolos, couve-de-bruxelas, repolho, couve-flor, lentilhas, feijão, grão-de-bico e cereais integrais;
  • Alimentos ricos em Vitamina E: óleos vegetais, nozes, vegetais de folhas verdes e cereais integrais;
  • Alimentos ricos em Vitamina B12: carne, frango, peixe, leite e ovos.

Lembre-se do seu corpo

O exercício físico estimula o fluxo sanguíneo para o cérebro. As pessoas que se exercitam regularmente têm menos probabilidades de desenvolver doenças cardíacas, derrames e diabetes. Estas condições estão também associadas a um risco maior de desenvolver demência. Por isso, pratique exercício físico para o bem da sua saúde:

  • Exercite o seu corpo, pelo menos, 30 minutos por dia. Pode andar, dançar, correr, andar de bicicleta, nadar, passear pelo jardim… tudo o que coloque o seu corpo em movimento e faça o coração bater com mais força;
  • O treino de resistência ou peso ajuda a desenvolver a força muscular, coordenação de movimentos e mantém a densidade óssea;
  • Trabalhe a flexibilidade e equilíbrio, com atividades como a dança, alongamentos, tai chi, pilates e yoga.

Lembre-se da sua saúde

Ao realizar check-ups regularmente, consegue detetar eventuais problemas assim que eles surgirem. O tratamento torna-se mais fácil e as consequências serão também menores.

  • Controle a sua tensão arterial;
  • Controle o seu colesterol;
  • Controle os seus níveis de açúcar no sangue;
  • Controle o seu peso.

Lembre-se da sua vida social

Ter uma vida social ativa, participar em atividades de lazer e conviver com outras pessoas ajuda a manter o seu cérebro saudável.

  • Mantenha o contacto com a família e amigos;
  • Participe em clubes sociais, culturais ou outros grupos;
  • Envolva-se em trabalhos comunitários ou torne-se voluntário;
  • Saia e converse com os seus vizinhos, amigos ou mesmo com os trabalhadores do supermercado ou café a que habitualmente vai.

Lembre-se dos seus hábitos

Evite maus hábitos:

  • Não fume;
  • Não consuma bebidas alcoólicas em grandes quantidades. Quando beber, beba com moderação;
  • Não prescinda das suas horas de sono e de descanso. Dormir faz bem à saúde.

Lembre-se da sua cabeça

Proteja a sua cabeça para reduzir os riscos de desenvolver demência.

  • Evite bater com a cabeça;
  • Use sempre cinto de segurança;
  • Atravesse sempre na passadeira;
  • Use sempre capacete de segurança quando andar de mota, bicicleta, skate, patins ou fizer equitação.

E lembre-se: É importante lembrar-se da sua memória em todas as idades.

A magia das 7 dicas Lembre-se da sua memória está na forma como elas funcionam em conjunto.

Quando conjuga as 7 dicas nas suas atividades do dia a dia, maximiza os benefícios e consegue resultados bastante mais favoráveis:

  • Passeie o seu cão… e fale com as pessoas no jardim.
  • Faça palavras cruzadas … com um vizinho.
  • Jogue golf ou ténis … num clube recreativo.
  • Disfrute de uma refeição saudável … com a família ou amigos.

Os seus hábitos e estilo de vida podem fazer uma grande diferença na sua saúde, assim como reduzir os riscos de desenvolver Doença de Alzheimer ou outras formas de demência.

Lembre-se…
Nunca é cedo demais para que se Lembre da sua Memória.

Esta página tem apenas um caráter informativo

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