Zona Wifi – Ameaça para a Saúde

0

OS PERIGOS DO WI-FI

Em Portugal, já há quem mude de vida e fuja para o campo, para manter as ondas eletromagnéticas à distância. França atribuiu a primeira pensão de invalidez por ‘‘alergia’’ ao wi-fi e proibiu-o nas creches. Teremos razões para temer os efeitos na saúde da internet sem fios?

De onde partem as radiações. Elas andam aí e dizem que nos fazem mal?

wifi_perigo_para_a_saude

Não as vemos, mas elas estão permanentemente à nossa volta. As ondas eletromagnéticas são essenciais para a partilha de informação à distância e, depois da “invasão” dos telemóveis, é o Wi-Fi (internet sem fios) que está a tomar conta do ambiente que nos rodeia – sem pedir licença.

França proibiu-o nas creches e concedeu a primeira pensão de invalidez por “alergia” à tecnologia. Em Portugal, também há quem se considere Hipersensível às Radiações Eletromagnéticas e tenha sido obrigado a mudar de vida; e quem se prepare para criar um grupo de consciencialização sobre os riscos destas ondas. Devemos ficar preocupados?

O video que aqui deixamos pode ajudar a esclarecer do que estamos a falar.

Luís Correia, professor de Engenharia Eletrotécnica há três décadas no Instituto Superior Técnico, em entrevista ao Expresso:

Os campos eletromagnéticos estão por todo o lado. E não se veem — daí, possivelmente, suscitarem tanto temor. Tudo o que o olho não consegue observar, a mente imagina a dobrar. Na última década, o nosso quotidiano alterou-se profundamente no que à parafernália tecnológica diz respeito. Integrámos inúmeros gadgets e trouxemo-los para dentro de casa. Pior: eles andam nas mãos dos nossos filhos, a toda a hora, se nos descuidarmos. E se algum destes objetos tiver efeitos nocivos para a saúde? Entre o smartphone com Wi-Fi ou 3G, o portátil com ligação à internet, os espaços públicos com Wi-Fi, o Wi-Fi em casa, o micro-ondas, são muitas as novas fontes de campos eletromagnéticos… Que consequências para a saúde terão todos estes campos com radiações na próxima geração, que cresce em contacto com eles diariamente? Depois da corrida à tecnologia ‘sem fios’, teremos de arrepiar caminho?

Em França foi aprovada, em fevereiro deste ano, uma lei que proíbe o Wi-Fi em creches e jardins de infância para crianças com menos de três anos. A alegação tem na saúde dos mais novos o principal argumento, sendo que os cérebros dos bebés, mais finos e em formação, podem ser mais sensíveis a esta emissão constante. Além disso, um bebé pode, literalmente, bater com a cabeça e ficar a centímetros de distância de um router, uma box emissora de ondas ou uma antena.
Luís Correia, professor de Engenharia Eletrotécnica há três décadas no Instituto Superior Técnico, e investigador do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, estuda questões relacionadas com telecomunicações há mais de 16 anos. “A preocupação com os campos eletromagnéticos nasceu nos anos 90 e aumentou com o aparecimento do GSM (sistema global para comunicações móveis)”, explica. “O telemóvel foi a tecnologia com a penetração mais rápida de sempre na sociedade ocidental: em 12 anos, 100% da população passou a usá-lo. Mas como as ondas eletromagnéticas não se veem, a perceção do risco é muito maior do que a realidade.”

O investigador ressalva ainda: “As antenas de rádio e de televisão, que irradiam a potências muito superiores (400.000W para televisão, 50.000W para rádio contra os 600W para telemóvel), existem há mais de 50 anos. Se houvesse consequências nefastas para a saúde causadas pelos campos eletromagnéticos, não teriam já surgido casos de pessoas doentes nas imediações?”, questiona.

Opinião do Pediatra Mário Cordeiro:

O pediatra Mário Cordeiro não é tão rápido a ‘arrumar’ o assunto. “Embora inicialmente se pensasse que a rede sem fios não causasse qualquer problema, um pouco à semelhança das micro-ondas emitidas pelos telemóveis, têm surgido alguns estudos que põem em causa esta certeza e colocam a hipótese de existirem alterações do ADN celular por exposição intensa e prolongada à rede sem fios, sobretudo nas crianças. Alguns estudos têm três décadas de evolução, pelo que os resultados são sólidos”, afirma. “Com os telemóveis e o aquecimento que provoca o seu uso, as crianças, por terem um tabique ósseo menos espesso que o dos adultos, estariam em maior risco de sobreaquecimento das células cerebrais. Elas são mais sensíveis devido ao desenvolvimento celular, designadamente do sistema nervoso central.” É fundamental dosear e remeter para o “apenas necessário” uso das tecnologias. Os locais wireless deveriam, de facto, ser limitados. “Para quê, num infantário, haver este tipo de ligação à internet?”, questiona o pediatra. Que conclui: “Mais vale prevenir do que remediar… E poupar as crianças será certamente uma boa ideia.”

ad_acust_conssultorio_1

Em 2011, a OMS (através da Agência Internacional de Pesquisa contra o Cancro) classificou os “campos magnéticos de baixas frequências e os campos eletromagnéticos de radiofrequências” como “possivelmente cancerígenos para humanos” — a par do “chumbo, do café e dos motores a gasolina”. Para o médico nefrologista António Vaz Carneiro, professor na Faculdade de Lisboa e diretor do Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência, “não há estudos científicos que permitam concluir que os campos eletromagnéticos têm efeitos nocivos na saúde das pessoas. O risco associado é muito baixo”. Para ele, “a lei aprovada em França reflete uma preocupação social válida, mas sem fundamentação científica”. Ressalva: “Um adolescente que vai para a praia das 8h às 20h apanha mais radiação (solar e ultravioleta) do que se utilizar telemóvel a vida inteira.” Se é verdade que não há certezas científicas absolutas sobre os efeitos nefastos dos campos eletromagnéticos, se pensarmos em possíveis consequências para os nossos filhos, haverá quem queira arriscar?

Evidências Cientificas: Aqui poderá assistir a uma entrevista com o Investigador Olle Johansson sobre o impacto dos campos magnéticos na Infertilidade.

Fontes: Parte destes textos foram retirados dos artigos escritos no Expresso e na VIsão

Partilhe.

Deixe o seu comentário